Olá,
Meu nome é Renato, sou torcedor fanático do Cruzeiro Esporte Clube e como tal, tive a vontade de escrever sobre o recente rendimento do clube em campo, já que, ao meu ver, por conta dos bons resultados em uma competição muito fraca, como o campeonato mineiro, muito se mascará a verdade sobre a equipe celeste.
Em primeiro lugar, gostaria de falar que não acho que o elenco do Cruzeiro seja ruim, acho que algumas posições estão mal servidas de peças à altura do clube, mas não são o principal problema do time, nem o que impossibilitará vôos mais altos durante essa temporada. O problema maior do time está no banco de reservas e se chama Vágner Mancini.
O time celeste, até 2010, tinha como principal virtude, a paciência e o toque de bola. NÃO, não jogava igual o Barcelona, nem nunca jogou, não era o mesmo tipo de toque de bola, nem a mesma paciência. Apesar dos dois estilos de jogo passarem pela troca de passes, o Cruzeiro até o meio de 2010, era um time mais incisivo que o barça, até porque precisava pressionar mais, para alcançar resultados, sem ter em seu elenco talentos com Xavi, Iniesta, Messi e cia. Porém, a equipe era muito bem estruturada e orquestrada pelo técnico Adílson Batista.
Quando em posse da bola, o Cruzeiro se organizava da seguinte maneira:
- A defesa se adiantava bem, até quase o centro do campo, utilizando um estilo de marcação mais parecido com o praticado na europa. Porém, como os jogadores não estavam acostumados a fazer este tipo de esquema, muitos gols de contra ataque eram sofridos.
- Os dois laterais da equipe faziam uma linha com o meia articulador e rodavam a bola voltando para a linha com os dois volantes mais adiantados, facilitando a aproximação e o toque de bola.
- M. Paraná e Fabrício trocavam constantemente de posição, devido à falta de qualidade do chute de Paraná. Se a bola fosse ao ataque, pela direita, era Fabrício quem saía para o jogo, para Paraná cobrir melhor a investida de Jonathan. Se fosse pela esquerda, os dois formavam uma linha que tinha como função proteger os avanços dos laterais.
- Ramires era constantemente acionado no ataque quando a jogada surgia pelo lado esquerdo, ou em contra-ataques.
- Wagner flutuava entre os volantes e os atacantes, sendo o cérebro pensante do time, caindo mais pela esquerda, para não "bater cabeça" com Kléber e tirar proveito da sua potente canhota. Quando a bola ia pelo lado direito de ataque, aproveitava da marcaçnao que era puxada por WP ou K30 e abria na entrada da área.
- Kléber jogava mais recuado que Wellington Paulista (sim, a dupla era essa, Thiago Ribeiro só ganhou a vaga de Wellington depois da competição, quando Kléber passou a ser mais centralizado e T. Ribeiro caía pelas pontas), o camisa 30 jogava de maneira semelhante a forma semelhante a que jogava Guilherme, quando a dupla era formada por Guilherme e Marcelo Moreno, no ano anterior. Era muito mais centralizado, mas abria pelos dois lados, principalmente o direito, para aproximar dos laterais e fazer jogadas pontuais pela linha de fundo, como foi no primeiro gol da partida semi-final, contra o Grêmio, no Olímpico.
- Wellington Paulista era centro avante mais fixo, mas recompunha para poder sair no contra-ataque.
- O time trocava passes de uma ponta a outra, até achar o espaço para a tabela entre lateral/meia e lateral/atacante. Utilizava muito do talento de Wagner e Kléber. Jonathan era a força nos cruzamentos.
O time atuou dessa mesma maneira, mudando poucos detalhes, até o final de 2010, quando foi vice-campeão brasileiro, com a diferença que Cuca, por vezes usava Roger como um volante um pouco mais adiantado e deixava um dos dois volantes bem mais fixo, fazendo com que Roger desafogasse o jogo de Montillo.
A partir de 2011 o Cruzeiro começou a jogar de outra maneira. Começou a explorar muito mais o contra-ataque, principalmente por ter na frente jogadores velozes e dribladores, como Montillo, Wallysson, T. Ribeiro e a chegada forte de Henrique e Jonathan, utilizando muito de lançamentos de Roger e Gilberto.
Quando o time perdeu seus dois atacantes velocistas (T. Ribeiro - negociado e Wallysson - machucado), o time repôs com centro-avantes, além de perder a chegada forte de Henrique, matando o contra-ataque da equipe, que ficaria muito concentrado em Montillo, que, não por coincidência foi o grande artilheiro do time, até começar a ser bem marcado. Com um time muito modificado, o Cruzeiro não mais jogava trocando passes, tampouco conseguia criar jogadas de contra-ataque, fazendo assim, a sua pior campanha no Brasileirão desde o início dos pontos corridos e uma das piores da história.
A grande esperança para 2012 era a mudança de alguns jogadores, para que o time, contando com a volta do único velocista do elenco, se preparasse para não jogar apenas na velocidade de seus atacantes. Porém, como vem sendo desde o início da temporada, tudo parece ter piorado. Apesar do melhor desempenho que na reta final do Brasileirão'11, fruto de melhor preparo físico e maior entrosamento dos atletas, o Cruzeiro joga apenas na velocidade, abdicando das trocas de passes, além de jogar com 2 centro-avantes na frente, de características diferentes e não complementares.
O que se vê hoje da equipe, é uma formação tática que não permite a ocupação de todos os espaços do campo, não permite variações táticas sem mudar o esquema de jogo e também impede a aproximação dos jogadores em campo, dificultando a troca de passes.
O lado mais ofensivo e de maior destaque do Cruzeiro é o lado direito, mas o posicionamento do atacante, muitas vezes impede a ultrapassagem do lateral, para chegar à linha de fundo em condições de cruzar. Como o atacante que joga aberto na direita é Wellington Paulista, centro-avante que não sabe ser segundo atacante, dificulta também as tabelas com o grande craque do time, Montillo, que com o isolamento no meio campo, fruto da falta de aproximação dos volantes, faz com que se torne alvo fácil da marcação adversária. O lado direito depende muito da individualidade e por vezes precisa que o zagueiro Léo conduza a bola até a intermediária e entregue para Montillo.
Já o lado esquerdo é ainda pior. Wallysson joga mais aberto pela esquerda que WP9 pela direita. Ele espera a aproximação do segundo volante, Marcelo Oliveira e do lateral. Mas como M. Oliveira é um pouco sobrecarregado na marcação, sendo o único a auxiliar L. Guerreiro, ele não tem a liberdade que deveria ter, para aproximar do atacante, que acaba, como nos últimos 2 jogos, ficando sem receber a bola durante boa parte do jogo. V. Mancini também não inverte os atacantes de ponta, a menos que ocorra uma substituição, o que mata o jogo do que seria o principal atacante celeste, Wallysson. O apoio dos laterais pela esquerda passa pelo mesmo problema que o apoio pela direita, a presença do atacante impede a ultrapassagem, o que dificulta cruzamentos que cheguem de frente para o atacante cabecear.
Por conta da dificuldade em se trabalhar a bola, o Cruzeiro tem suas melhores chances em exporádicas boas jogadas individuais, aproveitando erros nas "linhas burras" adversárias e toques de categoria de Montillo e por vezes de Marcos e Walter. A bola parada poderia ser uma arma, caso o time tivesse um batedor. Outra possível arma são os chutes de fora da área, que geralmente não levam tanto perigo ao gol adversário, como aconteceu ontem contra o time catarinense.
Hoje, logo após o jogo contra a Chapecoense, Júnior Brasil, da Itatiaia, contabilizou apenas 35 passes errados do time celeste, mesmo com um campo tão ruim. A explicação é simples, a troca de passes que ocorre no time do Cruzeiro, só ocorre atrás do meio campo, do meio para a frente, é na base da correira, vide os jogos contra América, Atlético e Chapecoense. O time não "dita" o ritmo de jogo, não faz a bola correr e sim, corre com ela.
É por isso, também, que hoje, dia 11 de Abril de 2012, 2 meses e 2 semanas depois do início da temporada, apenas 12 partidas após a pré-temporada, Vágner Mancini já fala em jogadores exaustos e desgastados (palavras ditas durante sua entrevista coletiva após o empate contra a Chapecoense), porque o time se baseia, unicamente, na velocidade de seus atletas.
Sorte ao Cruzeiro, pois irá precisar.
Saudações Celestes
Renato Simões


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